sábado, 10 de setembro de 2016

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" E quando à tua frente se abrirem muitas estradas e não souberes a que hás-de escolher, não metas por uma ao acaso, senta-te e espera. Respira com a mesma profundidade confiante com que respiraste no dia em que vieste ao mundo, e sem deixares que nada te distraia, espera e volta a esperar. Fica quieta, em silêncio, e ouve o teu coração. Quando ele te falar, levanta-te, e vai para onde ele te levar"

Susanna Tamaro in Vai Aonde Te Leva o Coração

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

"Vai Aonde Te Leva o Coração", agora o livro ;)






"As lágrimas que não saem depositam-se no coração, com o passar do tempo vão formando uma crosta e paralisam-no..."












" A ideia do destino é algo que surge com a idade. Quando se tem os anos que tu tens, geralmente não se pensa nisso, tudo o que acontece é como se fosse fruto da nossa vontade. Sentimo-nos como um operário, que pedra sobre pedra, vai construindo à sua frente o caminho que deverá percorrer. Só muito depois é que se repara que o caminho já está construído, que alguém o traçou por nós, e que só nos resta seguir em frente. É uma descoberta que costuma fazer-se por volta dos quarenta anos, então começa-se a perceber que as coisas não dependem só de nós. É um momento perigoso, durante o qual não é raro escorregar-se para um fatalismo claustrofóbico. Para veres o destino em toda a sua realidade, tens de deixar passar mais alguns anos. Por volta dos sessenta anos, quando o caminho atrás de ti é mais comprido do que o que tens à tua frente, vês uma coisa que nunca tinhas visto antes: o caminho que percorreste não era a direito mas cheio de encruzilhadas, a cada passo havia uma seta que apontava para uma direcção diferente; dali partia um atalho, de acolá um carreiro cheio de ervas que se perdia nos bosques. Alguns desses desvios fizeste-os sem te aperceberes, outros nem sequer os viste; não sabes se os que não fizeste te levariam a um lugar melhor ou pior; não sabes, mas sentes pena. Podias fazer uma coisa e não a fizeste, voltaste para trás em vez de seguir em frente. O jogo da glória, lembras-te? A vida vai avançando mais ou menos da mesma forma.
 Ao longo das encruzilhadas do teu caminho encontras as outras vidas, conhecê-las ou não, vivê-las a fundo ou desperdiçá-las depende da escolha que fazes num segundo; embora não o saibas, entre seguir a direito ou fazer um desvio joga-se muitas vezes a tua existência, a existência de quem está perto de ti."

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quinta-feira, 8 de setembro de 2016

"Vai aonde te leva o coração"

Seria aqui por perto que iniciaria as páginas deste romance  de Susanna Tamaro, não fosse a vontade de ir beber um café com a minha melhor amiga um pouco mais além ...



... depois de uma pequena paragem em Caldas da Rainha, foi aqui neste extenso paraíso com que a natureza nos brindou que fiquei por uns instantes ...


























Foz do Arelho
ou
Primeiro Poema do Pescador


Este é apenas um pequeno lugar do mundo
um pequeno lugar onde à noite cintilam luzes
são os barcos que deitam as redes junto à costa
ou talvez os pescadores de robalos com suas lanternas
suas pontas de cigarro e suas amostras fluorescentes
talvez o Farol de Peniche com seu código de sinais
ou a estrela cadente que deixa um rastro
e na mais.

Um pequeno lugar onde Camilo Pessanha voltava sempre
talvez pelo sol e as espadas frias
talvez pela orquestra e os vendavais
ou apenas os restos sobre a praia
«pedrinhas conchas pedacinhos d’osso»
e nada mais.

Um pequeno lugar onde se pode ouvir a música
o vento o mar as conjugações astrais
um pequeno lugar do mundo onde à noite se sabe
que tudo é como as luzes que cintilam
um breve instante
e nada mais.

Manuel Alegre in «Senhora das Tempestades»


Fátima, esse lugar inspirador onde vamos buscar força, local de fé e gratidão,
 hoje foi a última paragem antes do regresso a casa!








quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Náufragos





" Podiam chover bombas lá fora. O céu podia mudar de cor, cair de repente. O mar tornar-se venenoso. O que eles queriam era as palavras um do outro. As palavras e os suspiros e os ruídos e tudo mais que um corpo amado produz sobre esta terra, debaixo deste céu. Ficavam horas agarrados ao telefone como náufragos. Diziam frases incompletas que só eles entendiam e adivinhavam. Por vezes deixavam-se ficar em silêncio, porque no silêncio pareciam encontrar-se mais de perto. "
 Pedro Paixão, in Quase gosto da vida que tenho


"A carreira é um cavalo que chega à porta da eternidade sem cavaleiro"

"Onde já não há nem força para chorar nem força para rir, aí sorri o humor debaixo das lágrimas"

"A diplomacia é uma partida de xadrez em que os povos levam xeque-mate"

"Escolho o meu inimigo pelo alcance da minha flecha"


Karl Kraus

An Angel

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

“os portugueses raramente perdem a oportunidade de complicar algo que seja simples”

Hatton, B. (2011), Os Portugueses, Clube do Autor, Lisboa.


Freddie Mercury

Considerado um dos maiores artistas de sempre, quer pela sua energia em palco quer pelo seu poderoso tom de voz, Freddie Mercury faria hoje 70 anos, é mesmo qualquer coisa de mágico voltar a recordar o legado de músicas que nos deixou.




"If my music makes people happy, that´s a wonderful thing. That´s makes me very happy."

domingo, 21 de agosto de 2016


Para atravessar contigo o deserto do mundo
Para enfrentarmos juntos o terror da morte
Para ver a verdade para perder o medo
Ao lado dos teus passos caminhei

Por ti deixei meu reino meu segredo
Minha rápida noite meu silêncio
Minha pérola redonda e seu oriente
Meu espelho minha vida minha imagem
E abandonei os jardins do paraíso

Cá fora à luz sem véu do dia duro
Sem os espelhos vi que estava nua
E ao descampado se chamava tempo

Por isso com teus gestos me vestiste
E aprendi a viver em pleno vento
.
Sophia de Mello Breyner Andresen
Livro Sexto (1962)



sábado, 20 de agosto de 2016



"... não precisas de falar só porque vamos calados. A coisa mais difícil e mais bonita de partilhar entre duas pessoas é o silêncio."

in No teu deserto de Miguel Sousa Tavares

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

No teu deserto


"Havia qualquer coisa em ti que me irritava e me atraía, ao mesmo tempo. Quando eras  doce e querido, ou quando essa tua loucura latente ou essa tua alegria escondida vinham ao de cima, eu queria ficar ao pé de ti, porque me davas segurança e simultaneamente sentia que devia também proteger-te. Havia um conforto e uma paz ao teu lado que eu não sentia há muito, muito tempo, e que agora ia sentindo, aos poucos, a tomar conta de mim, como uma coisa antiga e segura, perdida lá longe, algures noutras guerras. Mas quando tu ficavas irritado e irritante, quando não querias ouvir as opiniões de ninguém e só sabias dar ordens e esperar que eu e todos à volta ficássemos esmagados pelo teu brilho e clarividência, aí eu afastava-me. Magoada contigo e irritada comigo por me deixar sentir assim magoada por ti."

terça-feira, 16 de agosto de 2016

terça-feira, 2 de agosto de 2016







Terá sido mais ou menos este o sentimento de fim de mini-férias,  dias que passam num sopro: a vida passa mesmo a correr e o melhor mesmo é aproveitarmos cada instante. 
Se levantarmos de mau humor quando o despertador toca no primeiro dia para regresso ao trabalho a melhor solução de todas é mesmo comer um docinho!

Falando em sopro, deixo aqui um pequeno excerto de um livro que se tornou a minha doce companhia durante esse curto período ("ó pra esta já parece o prof. Martelo"), a minha melhor amiga vai procurar se  gostei, querem saber o fim? Vá toca a ler, no que me toca tive uma imensa vontade de poder viajar no tempo, neste caso para o passado que isto da mania do Pokémon Go estava a dar-me um pouquinho cabo da paciência - que sorte ter vivido a adolescência no tempo em que se corria pelos quintais a jogar às escondidas e se ouvia um ralhete da mãe!


"Percebeu então que carregava dentro de si a revolta reprimida pelo amor que lhe havia sido roubado e alimentava uma sede louca, sôfrega, dolorosa, de justiça. Não queria vingança, não era disso que se tratava, procurava apenas um sentido de justiça. Vendo bem, considerou de imediato, se calhar nem era tanto a justiça o que verdadeiramente o atormenta, mas a injustiça. Incomoda-o a incerteza da vida, a arbitrariedade da sorte, a perversidade do destino."

"Mudança significava mudar o presente, mas mudá-lo em busca de algo melhor. 
E o que era melhor?"