quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Tempo


Estranho mundo em que vivemos por vezes querendo voltar ao passado tal como diria Fernando Pessoa...

"A criança que fui ficou na estrada,

Deixei-a ali quando me tornei quem sou.

E hoje, quando vejo que o que sou é nada,

Volto a buscá-la ali onde ficou."

... outras vezes procuramos que o tempo passe à velocidade da luz, para um lugar qualquer, sabe-se lá onde, mas que nos leve...


... estranho mundo em que vivemos, onde esperamos que alguém nos salve do presente onde ninguém se entende, onde o que foi dito ontem hoje não é verdade, onde as empresas e instituições não conseguem manter os seus colaboradores mesmo que os mesmos sejam mais valias para o seu bom funcionamento, onde partem para outros destinos aqueles em quem apostámos na formação porque aqui já não dá, onde aquilo que é nosso na realidade não é o é porque um dia alguém vai arranjar maneira de o tirar, onde família  e respeito passaram a ser apenas palavras do dicionário, onde vamos perder a saúde porque nos tiraram a estabilidade, onde  queremos estender a mão e as nossas forças nos faltam.....

estranho mundo mesmo!!!!

sábado, 20 de outubro de 2012

Para uns e para outros...


"Se eles não acreditam um no outro como é que os portugueses hão-de acreditar neles"

Que Humanidade é esta?

Se o homem não for capaz de organizar a economia mundial de forma a satisfazer as necessidades de uma humanidade que está a morrer de fome e de tudo, que humanidade é esta? Nós, que enchemos a boca com a palavra humanidade, acho que ainda não chegámos a isso, não somos seres humanos. Talvez cheguemos um dia a sê-lo, mas não somos, falta-nos mesmo muito. Temos aí o espectáculo do mundo e é uma coisa arrepiante. Vivemos ao lado de tudo o que é negativo como se não tivesse qualquer importância, a banalização do horror, a banalização da violência, da morte, sobretudo se for a morte dos outros, claro. Tanto nos faz que esteja a morrer gente em Sarajevo, e também não devemos falar desta cidade, porque o mundo é um imenso Sarajevo. E enquanto a consciência das pessoas não despertar isto continuará igual. Porque muito do que se faz, faz-se para nos manter a todos na abulia, na carência de vontade, para diminuir a nossa capacidade de intervenção cívica. 

José Saramago, in 'Canarias7 (1994)'


Dia do Poeta


Hoje é o Dia do Poeta, milhares de exemplos poderiam acolher a minha simpatia, mas a escolha acertada para este dia será concerteza este poema de Florbela Espanca, cuja vida de apenas trinta e seis anos nos deixa várias obras da mais alta qualidade. 
Amor, saudade, tristeza, solidãoe são ingredientes desta autora....





Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!
E é amar-te, assim perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

Florbela Espanca

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Justiça

"Os males não cessarão para os humanos antes que a raça dos puros e autênticos filósofos chegue ao poder, ou antes, que os chefes das cidades, por uma divina graça, ponham-se a filosofar verdadeiramente.
(Platão, Carta Sétima, 326b).

sábado, 13 de outubro de 2012

Esquerdo Capítulo

E se tudo fosse assim tão simples…

Entre a azáfama do trabalho do dia-a-dia, o cansaço da rotina da TV, há sempre um amigo que nos faz meditar. Encontrei nas páginas de “Histórias para Contar Consigo” de Margarida Fonseca Santos e Rita Vilela um livro que não é apenas um livro – é também um jogo que começa com uma história e no fim dessa história somos confrontados com uma pergunta e várias possibilidades de resposta, a partir daqui cada qual escolhe a sua história! Bem é mesmo caso para exclamar “e se tudo na vida fosse assim tão simples?!”. 

Reportando toda esta facilidade para o plano politico, seria tão simples para uns e para outros avaliar a necessidade das próximas eleições, parece-me que apenas com seriedade, diálogo e estabilidade politica o País poderá seguir em frente e ultrapassar o momento triste para quem cá vive, diria vergonhoso para quem o vê de fora (peço desculpa aos leitores pelo termo utilizado, mas foi o termo empregue de quem procura melhor vida fora do pequeno rectângulo e no momento actual nem o dicionário automático me ajuda). Tenho a convicção de que solidariedade, responsabilidade e diálogo são ingredientes para dar a voltar por cima, demorará o seu tempo, mas será possível “desistir não é o lema” e como diz uma grande amiga “Sílvia todos temos opiniões divergentes ou não, mas o essencial é apresentar soluções”! E se a Margarida e a Rita tivessem em cada história, tantas outras que nos que levassem a uma solução harmoniosa? Tantas perguntas haveria por fazer: 

Quando uma organização/País devem mudar de liderança? Decidem-se projectos para pouco tempo depois se “abortarem”? Fazem-se obras para pouco tempo depois se rectificarem ou simplesmente deixarem de existir? E os recursos feitos até? Serão desperdiçados? Deveríamos ser mais humildes na idealização de grandes projectos? E se não fizermos esses projectos, ficamos para trás e tornar-nos-emos um país muito menos desenvolvido? 


A União Europeia é mesmo uma união??? Será que é um projecto falhado? E a responsabilidade de todos aqueles que não souberam aproveitar as grandes oportunidades que ela nos deu? Deverão ser esquecidas? Será que falta visão a longo prazo? Será que os economistas apenas são bons em tempos de abundância? O Capitalismo será inimigo do Estado Social? 

Com a modernização administrativa, não estaríamos perto de dar um grande passo para a revolução fiscal? Debater baixar o custo da produção vs aumentar impostos sobre o consumo não é ridículo? Será que os políticos têm a noção do trabalho administrativo acumulado que daí advém e da saturação e instabilidade que tantas alterações provocam? Não precisamos mais de debater as estratégias para o desenvolvimento? Não seria mais conveniente estimular a criação do próprio emprego? Facilitar a quem menos tem, a possibilidade de construir também os seus sonhos? Será que alguém duvida que é através de formação que se poderá alcançar esses objectivos? Não deveria haver uma integração no mercado de trabalho desde o início de um curso até à sua saída? Não seria isto um estímulo? 

A cada um fica a escolha da sua história! 
Bem haja!

*** texto que escrevi a 25 de Maio de 2011 no blog mencionado no título

Prémio Nobel da Paz 2012

Vivendo momentos de verdadeira angústia um pouco por toda a Europa, a União Europeia foi agraciada  com o Prémio Nobel da Paz, fazendo-se destacar pelas conquistas feitas para o avanço da Paz e a reconciliação na Europa, referindo-se em particular à Segunda Guerra Mundial. Os nossos dirigentes políticos vieram apelar a que possamos ter consciência do peso deste prémio e que saibamos ser capazes de honrar esta atribuição. Concordo plenamente, mais concordo que devem começar eles mesmos a dar o bom exemplo sem pedir mais sacrifícios a quem mais não pode ser sacrificado e depois vivendo os mesmos num verdadeiro luxo que gostam de exibir perante toda a sociedade.

Sim queremos Paz, deixem-nos trabalhar e viver em PAZ!!!!

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Implantação da República


A 5 de Outubro de 1910 o País deixou de ser governando por uma Monarquia e passou a ser governado por uma República, em 2012 goza-se pela última vez aquele feriado que representa o nosso regime politico. 
E agora qual é o caminho? Perde-se a alma de um povo?! Iremos perder o verde da esperança na nossa bandeira para dar lugar apenas ao sangue do povo?! Bandeira hasteada ao contrário, em tempo de guerra, significava que o território estava dominado pelo inimigo ou um pedido de socorro! 
E de facto Portugal pede socorro!

terça-feira, 2 de outubro de 2012

O caminho faz-se caminhando / Se hace camino al andar


"Se hace camino al andar" é uma estrofe de «Proverbios y cantares» do poeta castelhano António Machado.

Caminante, son tus huellas
el camino, y nada más;
caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.
Al andar se hace camino,
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.
Caminante, no hay camino,
sino estelas en la mar.

Caminhante, são teus rastos
o caminho, e nada mais;
caminhante, não há caminho,
faz-se caminho ao andar.
Ao andar faz-se o caminho,
e ao olhar-se para trás
vê-se a senda que jamais
se há-de voltar a pisar.
Caminhante, não há caminho,
somente sulcos no mar.

sábado, 29 de setembro de 2012

Poemas da Alma



Plenos poderes

Tão pacientes fomos
para sermos
que anotámos
os números, os dias,

os anos e os meses,
os cabelos, as bocas que beijámos,
e aquele minuto antes de morrer
deixa-lo-emos sem anotação:
damo-lo aos outros como lembrança
ou simplesmente à água,
à água, ao ar, ao tempo.
E de nascer tão pouco guardámos
a memória.
Ainda que importante e jovial
tenha sido a nossa vida;
e agora não te lembres sequer
do mais pequenos pormenor,
não guardaste sequer um ramo
da primeira luz.

Sabe-se apenas que nascemos.

Um nó é dado com o fio da vida,
Nada, não ficou nada na tua memória
do mar bravio que ergueu uma onda
e derrubou da árvore uma maçã sombria.

Não tens mais recordações que a tua vida.

Pablo Neruda


Lucidez


"... a mais segura diferença que poderíamos estabelecer entre as pessoas não seria dividi-las em espertas e estúpidas, mas em espertas e demasiado espertas, com as estúpidas fazemos o que quisermos, com as espertas a solução é pô-las ao nosso serviço, ao passo que as demasiado espertas, mesmo quando estão do nosso lado, são intrinsecamente perigosas, não o conseguem evitar, o mais curioso é que com os seus actos estão constantemente a dizer-nos que tenhamos cuidado com elas, em geral não damos atenção aos avisos e depois aguentamos as consequências..."

in "Ensaio sobre a Lucidez"; Saramago, José