Este blogue ficou sem vida num ano duro, muito duro, em termos emocionais, depois de tanto pedir um ano sabático, onde pudesse descansar de algumas preocupações sobretudo as do cansaço de voluntariado veio o fenómeno estranho da pandemia, o afastamento social, a perda da minha mãe, as mudanças...
É preciso seguir em frente mas nem todos os dias são fáceis e hoje num dia tão cinzento lá fora e a caminho do trabalho ouvi esta melodia que fica no ouvido!
Gratidão para todos aqueles que estão na linha da frente que nunca lhes falte a força!
Hoje foi dia de dizer adeus a este grande Homem, numa cerimónia simples mas que ficará para sempre na minha memória, não viesse eu de coração cheio com as palavras do Padre Mário Duarte.
Quis o destino que fosse um amigo unionista a prestar-lhe os últimos socorros.
Sentada no fundo da igreja, aguardando o inicio da missa, reparo num gesto simples e discreto, mas cheio de simbolismo: o capitão e o guarda redes dos Seniores entregam a bandeira da sua nacionalidade, naquele que será o lugar do seu eterno descanso.
Humildade, presença, referência, amizade, paixão pelo futebol foram palavras de reflexão com as quais nos despedimos do nosso "Rei" que leva U.F.C.I.T. no coração, seguidas de uma grande salva de palmas!
Quando me questionam porque gosto tanto do União é simplesmente por isto e apenas por isto, pelas pequenas coisas que nos enchem o coração!
Maio e junho seriam tempos felizes se não fosse esta pandemia que veio mudar o nosso dia-a-dia.
Seria tempo de celebrar o aniversário do melhor clube do mundo ou apenas de estar entre amigos no Torneio Internacional dos Templários que é por si só uma grande referência dentro e fora das 4 linhas e também além fronteiras.
Ainda assim, mesmo que a bola não role em campo, o U.F.C.I.T., esteve presente nas nossas vidas com mais uma iniciativa de excelência.
A expectativa era grande principalmente no que toca ao jovem árbitro Hugo Silva, pois sempre que o vejo me recordo de um jogo na importante no Campo da Nabância, com o mister João Carlos a orientar uma grande equipa de Infantis.
A jovem Ana Brites também mostrou o seu papel de liderança e como disse e bem, o tempo passou tão rápido naquela noite que já não era apenas uma formação mas sim convívio entre amigos, não no café, mas no nosso ecran.
"Sinto que os políticos não o trataram bem, mas o povo amou-o sempre. E foi também isso que aprendi com ele, mesmo depois de ele já não estar comigo."
Se um grupo de capitães conseguiu depor em 1974 uma ditadura, se conseguiram cumprir uma revolução praticamente sem sangue e envergando cravos nas espingardas, "então o que conta é o que somos e o que fazemos, não a posição que detemos."
Catarina Salgueiro Maia
quinta-feira, 16 de abril de 2020
"Tão bom pudesse o tempo parar
E voltar-se a preencher o vazio
É tão duro aprender que na vida
Nada se repete, nada se promete
E é tudo tão fugaz e tão breve"
Talvez este seja o tempo certo para meditar, para fazer o balanço sobre as nossas conquistas.
Neste tempo de tantas incertezas, é tempo também de escutar a natureza, é tempo de acompanhar os nossos,mesmo que de uma forma não presencial.
Nunca antes tinha dado tanto valor aos dias de pressão, sem saber para onde me virar, ou sem saber a solução para determinado problema onde dedico as minhas horas de voluntariado, ou apenas daqueles que me são próximos.
É por eles que temos que continuar enquanto houver estrada para andar, enquanto houver vento para saltar para nos fazer viver experiências únicas que é o melhor que levamos desta vida.
Talvez nada seja como antes, prefiro ter fé e acreditar que esta pandemia que nos assusta, que nos faz ter medo de vivermos em comunidade, desperte o melhor de nós, dos nossos valores.
Termino com esta "Fragilidade", mas cheia de esperança de um amanhã melhor!
"Se o amor fosse um lugar a salvo
Sem medos, sem fragilidade"
quinta-feira, 2 de abril de 2020
terça-feira, 31 de março de 2020
Olhamo-nos nos olhos pela internet. Eu transmito-te este domingo à tarde, a voz do vizinho através da parede. Tu transmites-me a distância que existe depois do que consigo ver pela janela. Durante a noite mudou a hora e, no entanto, continuamos no tempo de ontem. Como é raro este domingo, não podemos garantir que amanhã seja segunda-feira. O futuro perdeu-se no calendário, existe depois do que conseguimos ver pela janela. O futuro diz alguma coisa através da parede, mas não entendemos as palavras. Lavamos as mãos para evitar certas palavras. E, mesmo assim, neste tempo raro, repara: tu e eu estamos juntos neste verso. O poema é como uma casa, tem paredes e janelas, é habitado pelo presente. Olhamo-nos nos olhos pela internet, estamos verdadeiramente aqui. O poema é como uma casa, e a casa protege-nos.